Há uns meses descobri que no filme "Capitães de Abril" algumas das personagens são italianas e as suas falas foram dobradas por actores portugueses e colocadas depois em pós-produção. Isto podia até ser pouco relevante mas uma delas é o Salgueiro Maia.
É óbvio que não tenho pensado nisso todos os dias, lembrei-me hoje por ser o dia que é. Mas na altura aquilo chateou-me.
E se tivéssemos chamado italianos para golpear o Estado?
Só porque os italianos, supostamente, são mais charmosos? Não haveria em Portugal uma alminha minimamente parecida com o Salgueiro Maia? Duvido, mas tudo bem, um dia hei-de ultrapassar isto.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
sábado, 21 de abril de 2012
o rosto muda caras
Vi na cara dela que não estava bem, estava pálida, estava roxa, estava com um ar doente. Vinha de óculos escuros a esconder umas olheiras carregadas que nunca foram dela.
- Não está tudo bem, o que é que se passa.
- A uva.
- Anh?
- A uva-passa.
- Não comeces. Queres falar?
- Se quisesse, não tinha começado.
Quando quer fugir a algum assunto faz piadas. Sempre foi assim a Eduarda. Sempre lhe achei graça.
- Está frescote.
- Ai poupa-me a esses desbloqueadores de merda!
- Costumam chamar-lhes "desbloqueadores de conversa" mas tu tens sempre de ser diferente não é?
Não responde. Bebe o café que pediu num só trago. Okay, não está nada bem. A Eduarda nunca bebe o café assim. Para ela há um ritual: o café chega, ela espera, enrola um cigarro, empata com conversa, dá um pequeno golo. Ainda está quente. Acende o cigarro, conversa. Só depois começa a acompanhar o cigarro pelo seu café. Diz que se beber o café muito quente dá-lhe caganeira e não gosta de cagar em casas-de-banho públicas, "é uma maçada!".
-Bebeste rápido o café.
- Não estava quente.
Mentira. ainda consigo ver o fumo a esvoaçar da chávena. Sigo o seu percurso. Páro-lhe na cara. O cabelo está descuidado. Embaraçado, despenteado, com raízes. Não me lembro de ver a Eduarda assim. Sempre a conheci importada e bem arranjada "mas eu não fui sempre assim", dizia, "antes cansava-me arranjar, preparar... Só comecei a pintar o cabelo há seis anos e antes vestia a primeira coisa que via, estivesse passada ou por passar, lavada ou por lavar!". "Ainda bem que mudaste", dizia-lhe, "não me ia conseguir dar com um desastre desses". E agora? Ali estava Eduarda, descuidada, na minha frente, cara a cara e eu sem saber lidar com ela. Mas eu disse-lhe, ao menos avisei que não saberia lidar com aquele farrapo.
- Ó Eduarda, vais-me desculpar.
Tomei coragem.
- Não consigo ignorar esse teu estado. Não te via há duas ou três semanas e aconteceu isso tudo?
- Mas isso tudo o quê? Não aconteceu nada!
- Nada não! Não sei mas deve ter sido uma infinidade de coisas para estares dessa maneira...
- De que maneira?
- Presumo, como me disseste teres um dia sido. Quando não tinhas dinheiro nem ninguém que te apoiasse.
Eduarda paralisou. Pousei a minha chávena e tentei aproximar-me do braço pousado na mesa. Afastou-o. Mordeu o lábio e cobriu o rosto com a mão.
- Fugi de casa. - Disse com a voz trémula. - Traí o Zé e fugi. Voltei agora porque preciso de ti.
Não consegui dizer nada. Estava completamente sem reacção e sem saber o que dizer.
- Precisas de mim? Precisas de ajuda? Arrependeste-te? Queres ficar lá em casa?
- Não. Tu não percebes.
- Então não é nada disso? Queres ficar com essa pessoa e queres que vá lá a casa buscar alguma coisa? Queres que fale com o Zé? Quer...
- NÃO! Pára! Preciso de ti é para a vida! Quero-te a ti.
E, a partir dali, o meu rosto mudou.
- Não está tudo bem, o que é que se passa.
- A uva.
- Anh?
- A uva-passa.
- Não comeces. Queres falar?
- Se quisesse, não tinha começado.
Quando quer fugir a algum assunto faz piadas. Sempre foi assim a Eduarda. Sempre lhe achei graça.
- Está frescote.
- Ai poupa-me a esses desbloqueadores de merda!
- Costumam chamar-lhes "desbloqueadores de conversa" mas tu tens sempre de ser diferente não é?
Não responde. Bebe o café que pediu num só trago. Okay, não está nada bem. A Eduarda nunca bebe o café assim. Para ela há um ritual: o café chega, ela espera, enrola um cigarro, empata com conversa, dá um pequeno golo. Ainda está quente. Acende o cigarro, conversa. Só depois começa a acompanhar o cigarro pelo seu café. Diz que se beber o café muito quente dá-lhe caganeira e não gosta de cagar em casas-de-banho públicas, "é uma maçada!".
-Bebeste rápido o café.
- Não estava quente.
Mentira. ainda consigo ver o fumo a esvoaçar da chávena. Sigo o seu percurso. Páro-lhe na cara. O cabelo está descuidado. Embaraçado, despenteado, com raízes. Não me lembro de ver a Eduarda assim. Sempre a conheci importada e bem arranjada "mas eu não fui sempre assim", dizia, "antes cansava-me arranjar, preparar... Só comecei a pintar o cabelo há seis anos e antes vestia a primeira coisa que via, estivesse passada ou por passar, lavada ou por lavar!". "Ainda bem que mudaste", dizia-lhe, "não me ia conseguir dar com um desastre desses". E agora? Ali estava Eduarda, descuidada, na minha frente, cara a cara e eu sem saber lidar com ela. Mas eu disse-lhe, ao menos avisei que não saberia lidar com aquele farrapo.
- Ó Eduarda, vais-me desculpar.
Tomei coragem.
- Não consigo ignorar esse teu estado. Não te via há duas ou três semanas e aconteceu isso tudo?
- Mas isso tudo o quê? Não aconteceu nada!
- Nada não! Não sei mas deve ter sido uma infinidade de coisas para estares dessa maneira...
- De que maneira?
- Presumo, como me disseste teres um dia sido. Quando não tinhas dinheiro nem ninguém que te apoiasse.
Eduarda paralisou. Pousei a minha chávena e tentei aproximar-me do braço pousado na mesa. Afastou-o. Mordeu o lábio e cobriu o rosto com a mão.
- Fugi de casa. - Disse com a voz trémula. - Traí o Zé e fugi. Voltei agora porque preciso de ti.
Não consegui dizer nada. Estava completamente sem reacção e sem saber o que dizer.
- Precisas de mim? Precisas de ajuda? Arrependeste-te? Queres ficar lá em casa?
- Não. Tu não percebes.
- Então não é nada disso? Queres ficar com essa pessoa e queres que vá lá a casa buscar alguma coisa? Queres que fale com o Zé? Quer...
- NÃO! Pára! Preciso de ti é para a vida! Quero-te a ti.
E, a partir dali, o meu rosto mudou.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
só hoje
Hoje apetecia-me escrever.
E há quanto tempo não me perco nas palavras!
Ando a guardar na cabeça o que não pode escorrer para o coração.
Se pudesse não hesitava, pegava-te na mão. E levava-te.
Levava-te para longe dos teus pensamentos,
para um sítio só nosso que havíamos de reconstruir. Mas melhor.
Levava-te para lá até quereres estar só comigo. E depois trazia-te.
Trazia-te e deixava-te voar.
E esperava,
E rezava.
Querendo sempre que tu, por ti, quisesses voltar.
Se é que se pode esperar. Se é que serve de algo rezar.
Depois voltavas, davas-me a mão e íamos passear.
Tinhas voltado.
E íamos ser felizes, com os nossos pensamentos, num sítio que é de todos.
Lá estou eu a deixar escorrer para o coração!
Foste só tomar café e estás a 300 km de mim.
Mas quando voltares, não me acordes. Deixa-me sonhar.
E há quanto tempo não me perco nas palavras!
Ando a guardar na cabeça o que não pode escorrer para o coração.
Se pudesse não hesitava, pegava-te na mão. E levava-te.
Levava-te para longe dos teus pensamentos,
para um sítio só nosso que havíamos de reconstruir. Mas melhor.
Levava-te para lá até quereres estar só comigo. E depois trazia-te.
Trazia-te e deixava-te voar.
E esperava,
E rezava.
Querendo sempre que tu, por ti, quisesses voltar.
Se é que se pode esperar. Se é que serve de algo rezar.
Depois voltavas, davas-me a mão e íamos passear.
Tinhas voltado.
E íamos ser felizes, com os nossos pensamentos, num sítio que é de todos.
Lá estou eu a deixar escorrer para o coração!
Foste só tomar café e estás a 300 km de mim.
Mas quando voltares, não me acordes. Deixa-me sonhar.
sexta-feira, 13 de abril de 2012
assim assim
"Quem disse que a vida é simples?
As nossas decisões também mudam a vida dos outros
Pensamos muito, complicamos demais
Já ninguém acredita no amor"
-E os únicos que se vão safar no meio disto tudo sabes quem são?
-Uh?
- Nós os dois. Porquê? Porque somos perfeitos um para o outro.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
terça-feira, 27 de março de 2012
sem medos
"Quando as coisas mexem connosco de uma maneira que olhas para a outra pessoa e pensas "és bem capaz de ser o meu the one", é loucura sim..mas da boa"
Era só o que precisava que me dissessem.
Então vamos. Sem medos, só com cautela.
quarta-feira, 21 de março de 2012
és mais especial do que especialmente
Gosto de braços.
Não gosto especialmente dos teus braços, mas gosto de tudo o resto em ti.
O teu intelecto seduz o meu, a minha mente, o meu físico.
O modo como puxaste por mim, como me quiseste conhecer, como me conheceste. Como ainda me conheces como nem me lembrava que conhecias.
A maneira como te deste a conhecer, a paciência a simplicidade das palavras, o "pouco tanto" de cada conversa.
Não pedi nada disto, nenhum rewind, nunca quis que acontecesse. Ainda assim não posso deixar de ver "o lado claro de um dia mau"...
Obrigada por seres singular.
Não gosto especialmente dos teus braços, mas gosto de tudo o resto em ti.
O teu intelecto seduz o meu, a minha mente, o meu físico.
O modo como puxaste por mim, como me quiseste conhecer, como me conheceste. Como ainda me conheces como nem me lembrava que conhecias.
A maneira como te deste a conhecer, a paciência a simplicidade das palavras, o "pouco tanto" de cada conversa.
Não pedi nada disto, nenhum rewind, nunca quis que acontecesse. Ainda assim não posso deixar de ver "o lado claro de um dia mau"...
Obrigada por seres singular.
terça-feira, 20 de março de 2012
quinta-feira, 15 de março de 2012
coisa mais ternurenta sobre o ser :)
"É tão bom ter a melhor ideia da vida. Mesmo que se tenha três ou quatro vezes por semana a melhor ideia da vida, é tão bom de cada vez que acontece. Ao encontrar-se um novo sentido, é o mundo todo que renasce. Uma boa ideia carrega em si o tamanho do mundo, uma espécie de felicidade incandescente."
José Luís Peixoto em Visão
domingo, 4 de março de 2012
awesome *.*
Descobri as maravilhas do puré instantâneo. É que é literalmente instantâneo! Lindo, maravilhoso, cheio de utilidade.
E eu nem curto puré.
E eu nem curto puré.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
se pudesse dizia-te isto
Sustenido
Quase te telefonei para te dizer que eu já não sei como estar e que não é justo
este terrorismo libidinal que executas perante mim. Que sonho-te na minha cama
todas as noites e nem é o prazer que me move mas a doença de não te ter.
E eu não te quero. Porque eu nem saberia o que fazer contigo se eu te tivesse.
Mas parece errado não nos provarmos uma vez que seja, mesmo que isso nos
condene aos dois para sempre. Tudo está errado, podemos errar juntos.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
do Choupal até à Lapa ♥
Foi Coimbra meus amores
A sombra da minha capa
Deu no chão abriu em flores
Oh Coimbra do Mondego
E dos amores que eu lá tive
Quem te não viu, anda cego
Quem te não ama, não vive.
A sombra da minha capa
Deu no chão abriu em flores
Oh Coimbra do Mondego
E dos amores que eu lá tive
Quem te não viu, anda cego
Quem te não ama, não vive.
25 anos concentrados num dia mostram-me ainda mais saudade dela, inteirinha, "do Choupal até à Lapa"...
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"Para ser grande sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive."
R.Reis
