sexta-feira, 27 de julho de 2012

quarta-feira, 18 de julho de 2012

aqui e agora

«Liga-lhe

Não sejas orgulhosa. Agarra no telemóvel e liga-lhe, não tens nada a perder. Diz-lhe que tens saudades dele, convida-o para jantar, dividam uma garrafa de vinho e partilhem uma noite de conversas soltas e perdidas. Falem do que ainda não falaram, dos erros, das feridas feitas de saudades, dos encontros e desencontros, conversem sobre os medos e frustrações, das palavras infelizes e atitudes insensatas, digam tudo o que ainda não disseram. Se ele não atender, deixa-lhe uma mensagem, tu sempre preferiste enviar mensagens a ligar. Escreve-lhe uma mensagem a dizer que queres estar com ele, que precisas de estar com ele. Mas não te estendas nas palavras porque os homens nunca percebem o que queremos dizer nas entrelinhas.

Não sejas teimosa. Agarra no telemóvel e liga-lhe. Hoje, agora. Amanhã pode ser tarde demais. Hoje estás aqui e amanhã já estás numa qualquer carruagem de um comboio sem destino, que tu és menina para fazer as malas e pores-te a andar daqui pra fora sem dizer nada a ninguém. Não sejas estúpida, agarra no telemóvel e liga-lhe, antes que alguém ligue por ti. Diz-lhe que vegetaste em silêncio porque a mágoa é enorme e que é preciso viverem essa paixão até ao fim porque o que importa é o que vocês sentem aqui e agora e não amanhã ou depois. (...)»




É muito isto. Ou devia ser mesmo isto.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

love me tender, never let me go

Às vezes tenho saudades tuas, não sei porquê. Sei que digo sempre que "nunca iríamos resultar" e que "nunca me iria apaixonar" por ti. Não é que duvide disso mas, esta relação que temos, não se compra em qualquer tabacaria.

terça-feira, 19 de junho de 2012

o copo meio vazio


Vejo sempre o copo meio vazio
e não é por ser pessimista,
é porque gosto de beber.
(já experimentei dizer que o tenho meio cheio,
e ninguém mo encheu.)


Das maneiras mais simples, legítimas, engraçadas e cativantes de defender esta questão.
Estou a repensar a minha metade do copo...

sábado, 9 de junho de 2012

sábado, 2 de junho de 2012

o shot do amor

"Todo o shot é do amor, porque a gente ama sempre muito mais quando está bêbedo.
E a gente também sabe que o shot é coisa para embebedar rapidamente. "

domingo, 27 de maio de 2012

quinta-feira, 24 de maio de 2012

vermelho

Falta um dia e meio para a noite ser nossa. Mais ou menos.

deixa acontecer naturalmente

Se soubesses que só vou ao mail duas ou três vezes por dia na espera de ter notícias tuas.

Não podia ser de outra maneira...

quarta-feira, 25 de abril de 2012

o 25 e os capitães

Há uns meses descobri que no filme "Capitães de Abril" algumas das personagens são italianas e as suas falas foram dobradas por actores portugueses e colocadas depois em pós-produção. Isto podia até ser pouco relevante mas uma delas é o Salgueiro Maia.
É óbvio que não tenho pensado nisso todos os dias, lembrei-me hoje por ser o dia que é. Mas na altura aquilo chateou-me.
E se tivéssemos chamado italianos para golpear o Estado?
Só porque os italianos, supostamente, são mais charmosos? Não haveria em Portugal uma alminha  minimamente parecida com o Salgueiro Maia? Duvido, mas tudo bem, um dia hei-de ultrapassar isto.


sábado, 21 de abril de 2012

o rosto muda caras

Vi na cara dela que não estava bem, estava pálida, estava roxa, estava com um ar doente. Vinha de óculos escuros a esconder umas olheiras carregadas que nunca foram dela.
- Não está tudo bem, o que é que se passa.
- A uva.
- Anh?
- A uva-passa.
- Não comeces. Queres falar?
- Se quisesse, não tinha começado.
Quando quer fugir a algum assunto faz piadas. Sempre foi assim a Eduarda. Sempre lhe achei graça.
- Está frescote.
- Ai poupa-me a esses desbloqueadores de merda!
- Costumam chamar-lhes "desbloqueadores de conversa" mas tu tens sempre de ser diferente não é?
Não responde. Bebe o café que pediu num só trago. Okay, não está nada bem. A Eduarda nunca bebe o café assim. Para ela há um ritual: o café chega, ela espera, enrola um cigarro, empata com conversa, dá um pequeno golo. Ainda está quente. Acende o cigarro, conversa. Só depois começa a acompanhar o cigarro pelo seu café. Diz que se beber o café muito quente dá-lhe caganeira e não gosta de cagar em casas-de-banho públicas, "é uma maçada!".
-Bebeste rápido o café.
- Não estava quente.
Mentira. ainda consigo ver o fumo a esvoaçar da chávena. Sigo o seu percurso. Páro-lhe na cara. O cabelo está descuidado. Embaraçado, despenteado, com raízes. Não me lembro de ver a Eduarda assim. Sempre a conheci importada e bem arranjada "mas eu não fui sempre assim", dizia, "antes cansava-me arranjar, preparar... Só comecei a pintar o cabelo há seis anos e antes vestia a primeira coisa que via, estivesse passada ou por passar, lavada ou por lavar!". "Ainda bem que mudaste", dizia-lhe, "não me ia conseguir dar com um desastre desses". E agora? Ali estava Eduarda, descuidada, na minha frente, cara a cara e eu sem saber lidar com ela. Mas eu disse-lhe, ao menos avisei que não saberia lidar com aquele farrapo.
- Ó Eduarda, vais-me desculpar.
Tomei coragem.
- Não consigo ignorar esse teu estado. Não te via há duas ou três semanas e aconteceu isso tudo?
- Mas isso tudo o quê? Não aconteceu nada!
- Nada não! Não sei mas deve ter sido uma infinidade de coisas para estares dessa maneira...
- De que maneira?
- Presumo, como me disseste teres um dia sido. Quando não tinhas dinheiro nem ninguém que te apoiasse.
Eduarda paralisou. Pousei a minha chávena e tentei aproximar-me do braço pousado na mesa. Afastou-o. Mordeu o lábio e cobriu o rosto com a mão.
- Fugi de casa. - Disse com a voz trémula. - Traí o Zé e fugi. Voltei agora porque preciso de ti.
Não consegui dizer nada. Estava completamente sem reacção e sem saber o que dizer.
- Precisas de mim? Precisas de ajuda? Arrependeste-te? Queres ficar lá em casa?
- Não. Tu não percebes.
- Então não é nada disso? Queres ficar com essa pessoa e queres que vá lá a casa buscar alguma coisa? Queres que fale com o Zé? Quer...
- NÃO! Pára! Preciso de ti é para a vida! Quero-te a ti.
E, a partir dali, o meu rosto mudou.
"Para ser grande sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive."
R.Reis