Costumava ver o meu avô bem e sempre a trabalhar, nunca parava. Costumava brincar comigo “às professoras e aos alunos”. Ele era o aluno. O meu avô estava sempre a ler qualquer coisa. Em casa da avó Chica havia sempre jornais, porque o avô gostava muito de ler. E conduzia! O meu avô conduzia camionetas grandes e eu adorava aquilo!
Um dia o meu avô começou a conduzir menos e a ver mais televisão. Deixou de querer brincar comigo e já não lia mais. Os movimentos eram pouco seguros e ficavam-lhe presos. Deixou de conseguir subir escadas.
Um dia disseram-me que o meu avô tinha Parkinson.…
A minha avó trabalhava muito. Passava a vida nas sortes e nas hortas a tratar de tudo quanto era legume, flor e árvore. A minha avó fazia-me as vontades todas. A avó Ana ia todos os santos Domingos à missa. A avó palmilhava a vila de uma ponta a outra, ia sempre a pé para o campo e recusava-se a ir para o lar porque “Deus me livre sair da minha casinha!”.
Um dia a minha avó começou a deixar de ir para o campo, principalmente a pé. Começou a passar mais tempo em casa e cansava-se de andar. Começou a esquecer-se de coisas. A minha avó deixou de ir à missa e quis ir para o lar.
Um dia disseram-me que a minha avó tinha Alzheimer.
Um dia disseram-me que as doenças crónicas eram degenerativas.
Um dia acordei com medo de um dia tremer e não me lembrar porquê….
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domingo, 21 de fevereiro de 2010
O medo da idade
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"Para ser grande sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive."
R.Reis
